Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de novembro de 2008

Slam

Que Nick Hornby é um excelente escritor todo mundo sabe (ou pelo menos deveria saber). Que seus livros são perfeitos para serem adaptados para a telona nínguem duvida. Mas que ele seria capaz de entrar em um universo desconhecido para ele até então... Em Slam (cujo significado remete ao tombo do skatista) ele mostra o quão jovem pode ser a mente de um escritor que já passou dos 50 e escreve com facilidade o que escreveria um cara de 18 anos.

O trabalho mais conhecido de Nick é o livro Alta Fidelidade, imortalizado no cinema com a brilhante atuação de John Cusack como Rob Gordon, um dos donos do Championship Vynil, uma loja de discos onde os donos ironizam o mau gosto dos clientes e valorizam a boa música (deu origem ao nome do excelente blog Champ Vinyl). Assim como em Alta Fidelidade, em Slam o autor faz inúmeras referências culturais: Sam, personagem principal é fanático pelo skatismo e faz confissões e pede conselhos a um pôster do Tony Hawk (as respostas do poster se baseiam na autobiografia do skatista: Hawk - Profissão: skatista, lida compulsivamente por Sam); o comportamento do protagonista e a escrita em fluxo de idéias remetem a uma versão mais moderna do livro O Apanhador no Campo de Centeio; são citados artistas e celebridades da atualidade a todo instante, de Jennifer Aniston a J. K. Rowling e David Beckham; Big Mac, iPod e X-box? Estão todos lá.

O melhor do livro é que Hornby não deixa de escrever como Hornby, e mostra de maneira incrível como um garoto esperto é forçado a se tornar adulto da noite pro dia. Escrito em primeira pessoa, a história é narrada por Sam, um jovem de 18 anos que mostra o quanto sua vida mudou nos dois últimos anos, quando ele arranja outro amor além do basquete, Alicia. Aí começa o drama: logo de início Alicia suspeita estar grávida de Sam, deixando-o desesperado, pois ele começava a acreditar que quebraria a maldição da família de engravidar cedo e não ir à faculdade.

Um fator surpresa foi o uso de flashforwards, por algumas vezes o protagonista acordava alguns meses no futuro e via uma prévia do que ocorreria com ele. Focando-se nos erros do antigo futuro, quando Sam chega no dia já visitado tenta desesperadamente corrigir as falhas que cometeria, no entanto tudo ocorre em vão, e ele percebe que os erros cometidos não podem ser apagados, mas errados de maneiras diferentes.

Outro tema bastante abordado é a diferença social entra as famílias de Sam e Alicia, os pais dele são separados e seu pai é encanador (também não se dá bem com o filho), os dela são professores universitários (profissão bem valorizada na Inglaterra) e são defensores árduos do bom e velho costume. E é nesse clima de diferenças, surpresas, intrigas e descontração que Nick Hornby conquista mais fãs e nos deixa mais um roteiro para um belo filme.


domingo, 6 de janeiro de 2008

Horrorshow

Quando me chamaram para assistir a Laranja Mecânica temei ser mais um daqueles filmes clássicos mas não envolventes. Na primeira cena já me surpreendi, ao som da Nona Sinfonia, um sujeito estranho bebe moloko com drogas na companhia de seus drugues em uma espécie de clube, com visual e som que não devem nada aos filmes de hoje. Logo percebi outro fato marcante, a utilização de um vocabulário nunca ouvido por mim, a linguagem nadsat, formada pela junção do inglês, russo e gírias (tem um mini-dicionário no fim do post).

O filme, de 1971, foi adaptado do livro homônimo de Anthony Burgess, escrito em 1962 e dirigido pelo gênio do cinema Stanley Kubrick, autor também de 2001: Uma Odisséia no Espaço e Lolita. Devido à violência, na época do lançamento ele foi proibido no Brasil. Outro lugar que não pôde assistí-lo logo foi o Reino Unido, o qual por ter feito severas críticas a esse aspecto do filme teve sua exibição proibida por Kubrick até a sua morte, em 1999.

Seu protagonista, Alex DeLarge (cujo sobrenome é revelado somente numa referência que ele faz a si mesmo: Alexander The Large) interpretado pelo brilhante Malcolm McDowell é um jovem do ano de 2007 que tem por diversão escutar Beethoven e praticar a ultraviolência na companhia de sua banda de drugues. Filho de pais desleixados, durante o início do filme Alex espanca mendigos e estupra mulheres (inclusive a de um escritor que no momento da invasão de sua casa trabalhava num livro chamado: A Clockwork Orange). Porém, num dos estupros ele comete por engano, assassinato. Traído por seus drugues, ele é preso e torna-se voluntário a um tratamento supostamente capaz de mudar a índole dos homens com uma lavagem cerebral (o médico que acompanhou Alex no tratamento era real, e o fez pelo fato do ator ter ficado temporariamente cego pelo uso do aparelho) o Tratamento Ludovico. Esse tratamento tornou para o deliquente o ato de violência repugnante, e por não se preocupar com o emocional dele, a música de Beethoven também. Dessa maneira Kubrick prova que a sociedade é tão violenta quanto Alex.

Após o tratamento Alex não é aceito de volta pelos pais, na rua é espancado pelos mendigos (o ator teve costelas quebradas nessa cena) e salvo por millicents - por acaso seus antigos drugues - os quais após o reconhecer, torturam-o em um tanque (mais uma cena de perigo, por falha no equipamento que o ajudaria a respirar, Malcolm quase se afoga de verdade).

Maltrapilho e maltratado Alex busca refúgio por engano na casa do escritor, que o acolhe e só o reconhece quando o ouve cantar Singing in The Rain no banho (Alex cantou essa música no dia da invasão, e a mesma só foi escolhida por ser a única que o ator sabia cantar). Desmascarado, foi novamente torturado, dessa vez com a nona sinfonia. Sob muita pressão, Alex tenta o suicídio e fracassa.

No hospital ele volta a ter o instinto cruel e sarcástico, sociopata e narcisista, e recebe do hipócrita governo, que outrora apoiara o Tratamento, o pedido de perdão. Os pais também o visitam. E assim termina o filme, como começara, no círculo que é padrão de todos os filmes de Stanley.

O nome do filme vem de uma expressão norte-americana: "As queer as a clockwork orange", que significa "Tão bizarro quanto uma laranja mecânica". E existem ainda outras curiosidades sobre o filme: a cobra Basil só entrou em cena por Malcolm ter medo delas; Kubrick mudava a posição dos pratos nas mesas e o nível das bebidas nas garrafas para desorientar os telespectadores; e a clássica, na Copa do Mundo da Alemanha de 1974, os jornalistas europeus apelidaram a seleção holandesa de Laranja Mecânica pela sua forma inovadora e perfeita de jogar.

Mas por que esse fascínio pela violência? Stanley Kubrick costumava dizer que existe uma grande hipocrisia a respeito da violência, pois todos são fascinados por ela. O filme foi lançado numa época em que as pessoas questionavam quais seriam os melhores meios de reeducação social e lutavam pelo fim da Guerra do Vietnam, e foi nesse cenário instável que foi lançado Laranja Mecânica. Esse é o típico filme que ou você vai adorar ou odiar. Recomendo-o para os que ainda não viram. xD

Como prometido, o Dicionário Nadsat:
Câncer: Cigarro
Cheena: Mulher
Devotchka: Menina
Droog; Drugue: Parceiro; Amigo
Em: Mãe
Glazzes: Olhos
Gulliver: Cabeça
Horrorshow: Legal
In-out-in-out: Sexo
Krovvy: Sangue
Malchick: Rapaz
Millicent: Policial
Moloko: Leite
Nadsat: Jovem; Adolescente
Nochy: Noite
Orange: Homem
Pee: Pai
Tolchockar: Bater; Acertar
Velocet, Syntemesc e Drencom: Drogas misturadas no leite
Viddy; Videar: Ver
Yarbles: Testículos

sábado, 24 de novembro de 2007

O Segredo

Nunca tinha me interessado muito pelo Segredo, mas depois de ouvir todos comentando e ver várias revistas o estampando em suas capas, eu decidi assistir o filme e ler o livro. É algo fantástico, a princípio você pode até pensar que se passa de mais um golpe para ganhar dinheiro fácil, mas não, se você entender a mensagem, sua vida pode realmente mudar. Esse é um ponto realmente importante, entender a linguagem do Segredo não é tão simples, e a maneira mais fácil é adaptando os mandamentos dele à sua vida.

A parte que mais impressiona é a explicação da lei da atração: "Semelhante atrai semelhante, portanto, quando você tem um pensamento, você também está atraindo pensamentos semelhantes para si". Ela o igula a uma torre de transmissão que emite pensamentos magnéticos(frequências) e a um ímã, o qual atrai coisas positivas ou negativas, dependendo dos pensamentos emitidos.

Eu já utilizei O Segredo, embora que mais como um teste, e pude comprovar a sua eficácia, para os outros parece inacreditável, mas para quem o utiliza é algo simples se adaptado ao cotidiano. Sabendo utilizar O Segredo podemos ir muito além do que pensamos ser capazes. Pois se alguém consegue realizar tal façanha, porque você também não consegue? O Segredo? É só pensar e visualizar!
ABS!

sábado, 15 de setembro de 2007

O Apanhador

Incontestavelmente, com a maioria dos votos da última enquete, vamos falar sobre o livro do qual tirei o nome para este blog: O Apanhador no Campo de Centeio. O autor do livro, Jerome David Salinger, inspirou-se nos versos de uma canção de Robert Burns: ‘‘Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio’’.

Algumas pessoas dizem que a fama do livro se deve ao fato dele ter sido lido pelo assassino de John Lennon, Mark David Chapman, o qual pediu que John o autografasse pouco antes de assassiná-lo. Mas por quê ele fez isso? Seria esse um livro indicado para pessoas violentas e instáveis? Segundo Chapman, em seu julgamento, ele estaria possuído por Holden Caulfield, personagem principal do livro, assim como vários outros assassinos que já se utilizaram desse argumento. Sinceramente, isso não faz o mínimo sentido.

A trama se concentra em torno da expulsão de Holden da sua escola e da sua volta para casa, às vésperas do natal, período no qual ele reflete sobre o declínio da sua vida e sobre coisas que parecem fúteis à primeira vista, como a falsidade - ele odeia quando pessoas que mal se conheceram dizem: Prazer em conhecer -, sinceridade, dignidade e sobre a falsa primeira impressão que as pessoas têm umas das outras - Holden fala que antes de sentirmos pena de quem vai conviver com certa pessoa, devemos conhecê-la melhor, pois as pessoas podem ser assobiadoras fabulosas-.

Holden é um sujeito que apaga palavrões pinchados na escola da irmã, respeita as pessoas mais velhas, é contra desigualdades, admira a inocência das crianças, não se prende a "nada", odeia pessoas metidas e não teme em brigar pelos seus objetivos. Seria até bom se de fato os assassinos o imitassem. A angústia de Holden se deve ao período turbulento pelo qual ele está passando, perdido, sem rumo. Ele quer ser somente o apanhador no campo de centeio, ficar num grande campo de centeio, para que quando uma das inúmeras crianças que ali brincam estiverem para cair do abismo, ele as apanhasse, mas no meio da trama ele próprio parece estar caindo nesse grande abismo. Ele também está entrando na fase adulta e os bares, bebidas e cigarros parecem o cercar, sufocando-o e não deixando alternativa senão entrar de vez no mundo dos vícios. Além de tudo, ele não guarda ressentimentos das pessoas, no fim tem saudades até dos mais chatos.

É um dos melhores livros já publicados, tem uma trama envolvente, pois apesar do pessimismo apresenta um incrível vocabulário e um humor diferente de tudo já visto e após mais de cinquenta anos de publicação ele continua muito atual. Leitura indispensável para qualquer um, quem não leu está perdendo.

PS: Se você já leu dê sua opinião sobre o livro...